quarta-feira, 16 de junho de 2010

















Photo: Ernesto Rodrigues with Pedro Gonçalves, Guilherme Rodrigues and Carlos Zíngaro


Sexta feira, o magnífico espaço da Abril em Maio, acolheu um espectáculo da Variable Geometry Orchestra, o terceiro da sua curta vida. Vou tentar explicá-lo: Durante uma hora e picos, a VGO apresentou aos parcos presentes (cerca de 20 e tal) um programa de improvisação completa, destilado pelo colectivo de 11 elementos (eram para ser 12, mas alguém ficou pelo caminho), com porções de improviso colectivo dirigido ou não, e com peças improvisadas "au moment" por quartetos de sopros, trios de cordas, ou conjugações entre os dois, por vezes acompanhadas da guitarra eléctrica, noutros pelo contrabaixo, ou pela bateria, ou pelas percussões de mil e um objectos aparentemente inofensivos. Foi bastante interessante, com momentos muito bons e sinceramente gostei. Gostei principalmente de Marco Franco, do Ernesto Rodrigues, do Chaparreiro, do baterista e até do percussionista, mas sobretudo do colectivo. Do colectivo porque, as improvisações foram-se revelando, desenrolando, com indicações do Ernesto Rodrigues para o assumir de papéis, e depois iam-se encaixando, iam brotando, quase sempre de forma agridoce, sem nunca explodir, eram sussurros, espasmos, ventos, completados por mil e um sons de que o olhar procurava a origem. Nalguns momentos pareceram-me pouco decididos, como que procurando-se a si próprios, concerteza fruto do pouco tempo que tocaram juntos, o que por outro lado deixa antever, com uma maior rodagem, uma interligação empática mais forte na improvisação.Tudo isto durou cerca de uma hora e tal. Seguiu-se depois a projecção de parte de um video com a gravação de um anterior espactáculo de Ernesto Rodrigues & co, com uma diferente formação. O video não era o mero registo de imagem, era sobretudo a transformação videoplástica da música, da improvisação. Uma espécie de improvisação plástica em suporte video ao som que se ouvia. Zooms gigantes, blurs, saturações, pormenores, etc, etc. Por esta altura uns meros 10 resistentes ainda por lá se encontravam. A pedido de muitas famílias todo o elenco subiu ao palco para uns 20 minutos de pura desgarrada freeimprov. Delírio e caos em doses maciças, os onze elementos entregaram-se à improvisação total sem regras, numa cacofonia que teve momentos absurdos e momentos de puro deleite, tal era a desgarrada ... só visto! Há-de haver mais! A Abril em Maio prometeu. Ah! E já têm a novel Bock preta, bem boa por sinal. Hasta! Stay free. Nuno Martins

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