quinta-feira, 12 de julho de 2012

IKB CHIADO MUSEUM CONCERT


photo: IKB Ensemble

O IKB (entenda-se International Klein Blue) trata-se de uma formação alargada orientada pelo incontornável músico e editor Ernesto Rodrigues, que inclui alguns dos mais relevantes músicos da Grande Lisboa a trabalhar nos domínios da improvisação, da electro-acústica, electrónica, jazz e novas músicas, cruzando várias gerações e áreas de instrumentação (cordas, sopros, electrónica e percussão).
Ernesto Rodrigues tem feito ao longo dos últimos anos um dos trabalhos mais importantes da história da indústria discográfica nacional, com o espantoso catálogo da Creative Sources, volta aqui ao assunto da grande orquestração colectiva, depois dos largos e frutuosos anos com a emblemática Orquestra VGO.

É também neste dia que estará pela primeira vez disponível para venda o registo de estreia deste ensemble (aqui com o convidado especial Paulo Raposo – a perfazer um total de 15 músicos), ‘Monochrome bleu sans titre’, numa evocação ao artista plástico Yves Klein, e ao seu célebre e patenteado pigmento azul.
Esta actuação foi concebida para ser realizada sem P.A., utilizando o domínio destes músicos da dinâmica e da actividade e inactividade sonora, para um concerto que será puramente em acústico.
Filho Unico

sexta-feira, 6 de julho de 2012


photo: Ernesto Rodrigues with Monsieur Trinité and Nuno Torres

Resumindo e concluindo: a Creative Sources continua a ter uma importância fundamental, a nível planetário, na difusão das mais radicais práticas da improvisação. Pode não constar nos "tops" das preferências do jornalismo musical, nem ter grande sucesso comercial, mas se a editora não existisse, provavelmente muita desta música também não. Rui Eduardo Paes
photo: Ernesto Rodrigues with Ricardo Guerreiro and Nuno Torres

Em Portugal, não foram apenas as editoras Clean Feed e TOAP que comemoraram o seu 10º aniversário: também a Creative Sources chegou à pré-adolescência. Com menos mediatismo, é certo, mas isso porque a "label" de Ernesto Rodrigues lança para o mercado discos de mais difícil consumo auditivo. Designadamente, de figuras das novas tendências da improvisação livre e do experimentalismo electroacústico, tendo nestas áreas granjeado o estatuto de mais importante veículo de difusão, a nível internacional. Ouvimos os 16 mais recentes títulos de um catálogo que já vai longo e cheio de "musts"… Rui Eduardo Paes

sábado, 16 de julho de 2011

O MIA 2011 na imprensa especializada
















photo: Ernesto Rodrigues with Gianna de Toni and Carlos Medeiros



[...] Da estética "near-silence" partiram igualmente os Rodrigues pai e filho, respectivamente em viola e violoncelo, e a contrabaixista italiana, mas radicada em Ponta Delgada, Gianna de Toni, se bem que evoluindo para situações conotáveis com a música contemporânea, aqui ou ali evocando um Salvatore Sciarrino e um Helmut Lachenmann. Abordagens extravagantes das cordas e das madeiras dos instrumentos, com os arcos, os dedos ou objectos vários, expandiram as possibilidades de execução, e nada foi excluído das lógicas aplicadas – em meio ao abstraccionismo geral, uma micromelodia em repetição ganhou especial efeito, denotando um sentido de oportunidade e uma inteligência construtiva admiráveis. [...] Rui Eduardo Paes

sexta-feira, 24 de junho de 2011

LUMPEN TRIO
















photo: Ernesto Rodrigues with Chiara Picotto and Blu Simon 'Wasem


O Lumpen Trio é uma formação que se dedica à improvisação livre entendida como gestão de acasos e criação de acidentes onde o esquecimento, a emoção, a intensidade, aliados a um espírito lúdico e despreocupado, têm uma função estruturante e dinamizadora.
Criado em 2001 por António Chaparreiro, Jorge Serigado e Ernesto Rodrigues, tem mantido uma actividade vocacionada essencialmente para actuações ao vivo e cujos registos têm sido particularmente bem recebidos pela crítica.
Rui Eduardo Paes

MÚSICA PORTUGUESA HOJE
















photo: Ernesto Rodrigues with Nuno Torres


[...] No caso do Ernesto Rodrigues, que vai tocar também com um quinteto, entram dois improvisadores estrangeiros, o Rhodri Davies, que toca harpa eléctrica e é um dos grandes improvisadores europeus, e também o Stéphane Rives, que é um saxofonista especialista na corrente musical chamada de near silence, que trabalha todo o tipo de sons não convencionais que se podem tirar do instrumento, um trabalho muito microtonal. CCB

Ernesto Rodrigues & Carlos Santos

















Ernesto Rodrigues e Carlos Santos exploram conceitos da improvisação electro-acústica, de cariz marcadamente reducionista.
Um duo formado por violino/harpa e um dispositivo electro-acústico conhecido por criar atmosferas intimistas, atento aos detalhes das texturas e sons, onde o silêncio e a arquitectura sonora são dois importantes factores para o jogos entre os materiais acústicos e electrónicos.
ZDB

O gato miou



photo: Ernesto Rodrigues with Ricardo Guerreiro and Nuno Torres

[...] De perna cruzada, como se estivesse a beber uma cerveja na esplanada, Ernesto Rodrigues procurou reações em todos os lugares possíveis e impossíveis do seu instrumento. Quem disse que questionar os limites é uma luta contra o suor? [...] Rui Eduardo Paes (Bitaites)

segunda-feira, 23 de maio de 2011















photo: VGO

Since first encountering the music of the Iberian improvisers, I guess more than ten years ago now, I've been impressed by the territory they (speaking generally) carved out for themselves, distinct in a number of ways from the improv being practiced elsewhere. As they, inevitably, began to mingle more and more with other European, Asian and American musicians, the music widened in many respects, perhaps lost some idiosyncrasy in others. But here, as elsewhere, it's heartening not to hear complacency, to continue to hear the searching, often along that difficult, slippery and occasionally very rewarding path between efi and eai. Brian Olewnick (Just Outside)











photo: VGO

Five releases that feature Ernesto Rodrigues, recorded between 1999 and 2010 in various settings. Rodrigues has been heard on many, many discs, enough that I wouldn't presume to use these examples of anything definitive regarding a partial career arc, but in very general terms, they might be seen as limning some parts of a pathway. He's always, from what I've heard anyway, trod a line between (for lack of better shorthand) efi and eai, gradually casting aside some of the busier aspects of the former, but never entirely jettisoning that particular approach to group interplay. Brian Olewnick (Just Outside)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mais uma pequena maravilha sonora a rodar por aqui...




















O regresso ao prazer das novas músicas...em tempos também Orquestra Vermelha, "Self Eater and Drinker" apresenta-nos Ernesto Rodrigues & Jorge Valente, em 1999 e em nome próprio.
Tudo isto é muito estranho. Belíssimamente estranho. Confesso que é um universo pouco habitual nos meus roteiros sonoros mas que pouco a pouco, vou descobrindo, sentindo, tentando perceber. É um universo tão escondido, ignorado, mesmo desconhecido e que no entanto, tem tantos lusos alvo de reconhecimento por esses quatro cantos fora. Refiro-me ao mundo do experimentalismo contemporâneo, ao mundo do improviso e refiro-me aos casos de Carlos Zíngaro, Rafael Toral, Carlos Bechegas, Nuno Rebelo ou mesmo Sei Miguel, Jorge Lima Barreto ou Vitor Rua, entre os que aqui hoje refiro, obviamente. Este é o incrível mundo do improviso...da paixão pelo som e por aquilo que este nos pode devolver. Use-se o que se usar, como se usar.
E esta é uma suite em oito partes dedicada a Martin Kippenberger, na qual Ernesto Rodrigues (violino, violino preparado e processador de sinal) e Jorge Valente (sintetizador e computador) improvisam, criando um diálogo muito pessoal entre um violinista e um teclista, entre duas formas de vibrar um instrumento...mas claro que é muito muito mais do que isto [...] Rui Dinis ( A Trompa)

domingo, 10 de abril de 2011











photo: 'Ordinary Music Vol. 4, for Mixed Ensemble & Live-electronics' (rehearsal)
O violino já faz parte da vida de Ernesto Rodrigues há mais de trinta anos. Compositor, violetista e violinista, Ernesto Rodrigues já trabalhou com nomes reconhecidos nacional e internacionalmente, tais como Carlos Zíngaro, Evan Parker,Phil Niblock, Iannis Xenakis.
Desta feita, veio apresentar ao público o seu último trabalho, desenvolvido em conjunto com mais sete artistas: Abdul Moimemme (guitarra), Armando Pereira(acordeão e piano de brincar), Carlos Santos (electrónica), Gil Gonçalves (tuba),Guilherme Rodrigues (violoncelo), José Oliveira (percussão), Nuno Torres(saxofone). Suspensão é o nome da obra destes oito artistas, estreada na sexta-feira (dia 11) na Galeria Zé dos Bois.
Não foram muitos os que se dirigiram para o Bairro Alto numa sexta-feira de chuva. Porém, a plateia que assistiu à estreia do Octeto de Ernesto Rodrigues estava razoavelmente composta. Não é difícil compreender o seu porquê. Ernesto Rodrigues é um dos nomes de relevo no seio do jazz nacional. Adepto de improvisos, divagações libertinas e de particularidades sonoras que evocam logo o “free”, este trabalho não fugiu à regra que caracteriza a carreira do músico. Todavia, este projecto de oito músicos tem uma marca que se distingue. De carácter reducionista, uma aproximação do silêncio, uma procura ininterrupta do silêncio como forma de expressão.
Foi com base no silêncio – tanto como caminho, como objectivo – que cerca de uma hora de música se desenrodilhou. Não é fácil evocar o silêncio com mais de dez instrumentos em palco, uma plateia um tanto agitada e uma sexta-feira à noite no Bairro Alto. Se Ernesto Rodrigues fazia ouvir uma harpa tácita e Nuno Torres nos brindava com um saxofone que caminhava pela mudez, logo de seguida Gil Gonçalves soltava um som destemido de tuba que destruía de imediato a camada silenciosa que se propagava pela sala. A brincadeira esquemática – silêncio, não silêncio – foi o fruto da noite.
Sem paragens, os músicos desenvolviam momentos de maior tensão, em que a tuba, electrónica, percussão, violino e piano de brincar se faziam ouvir com maior energia, para logo de seguida se deixarem levar por uma onda sonora amena, apenas interrompida pelas vozes que se adivinhavam vindas das ruas bairristas.
Entre os músicos que davam o seu contributo individual (e simultaneamente colectivo) para que a música se fizesse ouvir, Guilherme Rodrigues seguia os passos do pai, Ernesto Rodrigues, que, em certa medida, o encaminhou no seu contributo. Alguma prematuridade esteve muito presente na interpretação de violoncelo de Guilherme Rodrigues. Contudo, é importante frisar a jovem carreira do violoncelista, principalmente em comparação com a carreira dos músicos que se encontravam em palco.
Se algo faltou, então foi a ligação entre os intérpretes. Claramente, é difícil que exista uma relação intensa entre oito músicos em palco. Se Ernesto Rodrigues trocava expressões com o seu filho e Gil Gonçalves compartilhava devaneios tubísticos com o percussionista José Oliveira, poucos momentos mais de partilha se viram e escutaram na actuação. Permanece a dúvida sobre se o desfasamento entre os músicos seria por ser uma estreia e, portanto, o projecto estar pouco desenvolvido nos parâmetros do desempenho ao vivo ou se a individualidade é pressuposta.
Em suma, a noite ficou marcada por uma experiência “near silence”. Afinal, o silêncio pode ser entendido nas mais diferenciadas dosagens e formas, pode ser vítima de diversas interpretações e relações. Foi a experiência do silêncio que deu azo a um exercício de criatividade feito por esta Suspensão de oito intérpretes distintos. Regina Morais

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O silêncio de Ernesto Rodrigues



Photo: Ernesto Rodrigues with Nuno Torres, Ricardo Jacinto and Carlos Santos

Oito improvisadores em torno do silêncio. Ou por dentro e fora dele, se preferirem. "Suspensão", nome do espectáculo a apresentar esta noite na Galeria Zé dos Bois, reúne um octeto que desenvolve uma exploração minuciosa dos timbres de cada instrumento, contrapondo-a à total ausência de som. Um exuberante universo de micro-texturas sonoras relaciona-se intensamente com o espaço envolvente e cria uma dinâmica na qual o silêncio tem um papel determinante. Próxima de uma estética a que se convencionou chamar de reducionista ou near-silence, esta é uma música de câmara exigente que poderá tirar partido do enorme talento dos improvisadores convocados para este encontro: Ernesto Rodrigues na viola e harpa, Guilherme Rodrigues no violoncelo, Abdul Moimeme na guitarra eléctrica, Gil Gonçalves na tuba, Nuno Torres no saxofone alto, Armando Pereira no acordeão e piano de brincar, Carlos Santos na electrónica e José Oliveira na percussão. Fundador da editora Creative Sources e um dos mais activos improvisadores nacionais, Ernesto Rodrigues prossegue um trabalho notável e crucial no desvendar de novos universos musicais. Rodrigo Amado

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SUSPENSÃO NA ZDB


Photo: Ernesto Rodrigues and Hans Koch


Liderado por Ernesto Rodrigues, o colectivo Suspensão chega à Zé dos Bois para apresentar, em estreia absoluta, o disco de estreia. Música de câmara electroacústica para oito músicos, baseada em improvisação estruturada, próxima da corrente estética near silence ou reducionista. A abordagem de cada músico aos diferentes instrumentos (neste caso, viola, violoncelo, 2 guitarras eléctricas preparadas, saxofone, tuba, acordeão, electrónica e percussão), coloca em evidência a exploração textural e sonora dos timbres em situações de micro-grupos ou em densidades e dinâmicas de conjunto, acentuando a sua relação com o espaço envolvente. Sérgio Hydalgo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DOWNBEAT, FEB 06

Photo: Ernesto Rodrigues and Hannah Marshall



O mais recente número da mais famosa revista de jazz do mundo traz um artigo sobre o improvisador português Ernesto Rodrigues. O interessante artigo é da autoria de Peter Margasak e foca as actividades do músico e da sua editora, Creative Sources. Neste momento Ernesto Rodrigues encontra-se nos Estados Unidos, país que vai percorrer em concertos durante o próximo mês, na companhia do guitarrista Manuel Mota. Parabéns, Ernesto! Nuno Catarino (aformadojazz)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ernesto Rodrigues - Os discos da minha vida


Violetista e violinista com actividade nas areas do free jazz e da livre-improvisação desde a decada de 1980, tocou ou toca com musicos como Carlos Bechegas, Jose Oliveira, Manuel Mota, Marco Franco, Alfredo Costa Monteiro, Margarida Garcia, Carlos Santos, Nuno Torres, Pedro Rebelo, Michael Thieke, Christine Sehnaoui, Oren Marshall, Tetuzi Akiyama, Wade Matthews, Alessandro Bosetti, Birgit Ulher, Mark Sanders, Jean-Luc Guionnet, Seijiro Murayama, Raymond MacDonald, Rhodri Davies, Martin Kuchen, Gino Robair e David Stackenas, entre outros. Em paralelo, dirige a etiqueta Creative Sources, actualmente com mais de uma centena de CDs editados, e organiza eventos musicais, entre os quais o Creative Sources Fest. Estes sao as seus discos preferidos de sempre…

Eric Dolphy “Out To Lunch” Blue Note, 1964; Albert Ayler “Bells” ESP Disk, 1965; Ornette Coleman “Chappaqua Suite” CBS, 1966; AMM “AMM Music” Elektra, 1967; John Coltrane “Om” Impulse!, 1967; The Jazz Composer's Orchestra “The Jazz Composer's Orchestra” JCOA Records, 1968; Peter Brötzmann Octet “Machine Gun” BRÖ, 1968; Maurice McIntyre “Humility In The Light Of Creator” Delmark, 1969; Alan Silva “Skillfullness” ESP Disk, 1969; New Phonic Art “Begegnung In Baden- -Baden” Wergo, 1971; Sun Ra And His Intergalactic Research Arkestra “It's After The End Of The World -Live At The Donaueschingen And Berlin Festivals” MPS Records, 1972; Don Cherry & The Jazz Composer's Orchestra “Relativity Suite” JCOA Records, 1973; David Holland Quartet “Conference Of The Birds” ECM Records, 1973; Creative Construction Company “Creative Construction Company” Muse Records, 1975; Derek Bailey “Improvisation” Cramps Records, 1975; Gruppo Di Improvvisazione Nuova Consonanza “Musica Su Schemi” Cramps Records, 1976; Revolutionary Ensemble “Revolutionary Ensemble” Enja, 1977; Anthony Braxton “The Montreux / Berlin Concert” Arista, 1977; Cecil Taylor “Cecil Taylor Unit” New World Records, 1978; Evan Parker “Monoceros” Incus Records, 1978; MEV “United Patchwork” Horo Records, 1978; The Art Ensemble Of Chicago “Nice Guys” ECM Records, 1979; Globe Unity “Compositions” Japo Records, 1980; Wolfgang Fuchs / Georg Katzer “FinkFarker” FMP, 1990; The Sealed Knot “Untitled” Confront, 2000; Axel Dörner “Trumpet” A Bruit Secret, 2001; Jean -Luc Guionnet “Pentes” A Bruit Secret, 2002; Yoshimitsu Ichiraku / Kazushige Kinoshita / Taku Unami “Cymbal Violin Lapsteel” Hibari Music, 2002; Stéphane Rives “Fibres” Potlatch, 2003; Radu Malfatti "Wechseljahre Einer Hyäne” B-Boim, 2007 Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

Ernesto Rodrigues - - Anti-Romântico

Photo: Ernesto Rodrigues with Birgit Ulher and Carlos Santos


O violetista Emesto Rodrigues tem três novos registos da sua intensa actividade, como habitualmente em conjunção com musicos de outras paragens (os suecos Martin Kuchen e David Stackenas em "Vinter" e "Wounds of Light", respectivamente, e o alemão TonArt Ensemble em "Murmurios") e com três dos seus mais habituais parceiros portugueses (o seu fiIho Guilherme, Carlos Santos e Nuno Torres). Todos as seus conteudos foram integralmente improvisados e todos explicitam o estadio actual da chamada corrente reducionista, aquela que no dominio da musica improvisada vem seguindo o mesmo objectivo de retirada de materiais sonoros e de redução do volume que testemunhamos em outras areas musicais, incluindo o jazz "mainstream". Curiosamente, quando tocam dentro dos parametros convencionais desse mesmo jazz. já Kuchen (Iider do grupo Angles, editado pela alfacinha Clean Feed) e Stackenas (que toca habitualmente com Mats Gustafsson, saxofonista que ja tivemos entre nós varias vezes) não seguem esses parametros...
Sobretudo, o que Emesto Rodrigues e demais improvisadores reducionistas vêm fazendo é operar um corte com a tradicao romântica vinda do seculo XIX em termos da expressao, e que tanlo influenciou o jazz como ate a "old school" da improvisação livre. O expressionismo e os "sheets of sound" que caracterizaram Charlie Parker, John Coltrane, Sonny Rollins e Albert Ayler, e também Evan Parker, John Zorn, Daunik Lazro e Frank Gratkowski, sao uma decorrencia directa dessa matriz romântica, permitindo tal distanciamento a criação de uma musica que troca o fraseado pelas texturas e a escala pelo som, mesmo o considerado como nao-musical. Emesto justifica do seguinte modo este outro caminho que esta a percorrer: «Há formas mais subtis, eficazes e condizentes com o panorama actual do mundo. Vivemos numa epoca de turbulência, em crise de valores e até de identidade. Cabe a arte contrapor-se à pobre realidade a que estamos sujeitos. Na musica,
o uso de microtonalismos, elementos psico-acusticos, "drones" e rugosidades sao fenomenologicamete mais apropriados para o conseguir. Estes atributos podem conferir um lado mais telurico ou mais escatologico. e eu gosto disso." O também responsável pela etiqueta Creative Sources é claramente o produto da matriz cruzada - com elementos do jazz e da musica erudita - de onde emergiram as praticas europeias da improvisação. No seu caso particular, parte dos postulados do serialismo e do pós-serialismo avançados par Webern e do free jazz segundo a especial perspectiva do violinista Leroy Jenkins com o Revolutionary Ensemble. "As miniaturas webernianas foram-me determinantes para a aproximação do silencio, a economia dos elementos e a extrema concentração da musica que pratico", diz_ Emesto Rodrigues já esteve mais proximo da "new thing" do que na actualidade: "0 presente revivalismo do free jazz era previsível. Na altura em que surgiu, esta tendencia era, sem duvida, arrojada, mas hoje nao tem a mesma carga politica e social. Foi "domada" e "civilizada", sendo mais facil de tolerar pela sociedade de consumo, Natural sera que haja uma aproximação entre a musica improvisada e a musica erudita contemporanea. As fronteiras entre ambas estão a diluir-se e ha cada vez mais permutas entre os dois universos, pelo que se explica o afastamento do jazz por parte de abordagens da improvisação como a minha. Depois do free jazz temos a free music, que engloba algumas das expressões libertarias reclamadas por aquela corrente do jazz e algumas das concepções subjacentes a musica dita "seria" e ainda a acusmatica, ao espectralismo, ao concretismo, a "laptop music"…». A primeira das verificações derivadas da audição destes tres discos e a diferente gestao do factor "near silence" que vem definindo esta corrente da musica improvisada. O TonArt Ensemble pode estar nos antipodas da estetica do grito de um Peter Brotzmann, mas os "murmurios" anunciados pelo titulo do CD sao profusos, agitados e inquietos. Quando, em "Vinter", Martin Kuchen introduz repetições rítmicas na trama, esta a distanciar-se umas boas milhas dos ultra-minimalistas conceitos de Radu Malfatti e Taku Sugimoto. Por sua vez, "Wounds of light" tem em David Stackenas o "joker" com a missao de manter instaveis os equillbrios que se vao construindo, abrindo feridas na superfície do silencio e lançando sombras sobre o que se ilumina. Em todas estas edições, o proprio Ernesto - considerado um dos principais "chefes de fila" do reducionismo internacional -multiplica-se em gestualismos, num frenesim que, incrivelmente, nunca deixa de ser subtil. Na sua batalha contra os resquicios do Romantismo, sO se alterou a esse nível o fascinio do musico de Lisboa pelo dito silencio: «Dizem-me muito os compositores que sabem privilegiar esse factor tão precioso, o silencio anunciado por John Cage tem hoje. finalmente. a importancia que nunca antes Ihe foi conlerida, São eles Helmut Lachenmann, Salvatore Sciarrino, Gerhard Stabler, Gerard Grisey, Toshio Hosokawa, Vadim Karassikov, lancu Dumiirescu e Wolfgang Rihm, para so citar alguns. E Emmanuel Nunes. Tem sido um enorme privilegio poder disfrutar, nos "workshops" que realiza, de todas as suas sagacidade, argucia e mestria. A sua obra e um testemunho vivo da busca permanente de novas soluções e respostas em materias como o contraponto e a especialização. Com uma destreza notavel no dominio de abstracções tão exactas como as matematicas, e frequentemente rotulado como demasiado frio, mental ou rigido - epitetos com os quais estou totalmente em desacordo. No fim de um concerto meu nos Instants Chavires, alguem do publico perguntou-me se a peça que tinhamos acabado de tocar era da minha autoria ou se teriamos interpretado uma obra de Nunes… Respondi-Ihe que tudo tinha sido improvisado. Ao longo dos anos, talvez tenha assimilado e interiorizado inconscientemente algumas das caracteristicas que melhor definem o estilo do compositor".
O que resta, então, da influencia de Leroy Jenkins nas três mais recentes propostas discograficas de Ernesto Rodrigues? Aquilo que o falecido violinista norte-americano legou de mais essencial aos que ficaram: a constante busca de novas soluções e possibilidades, mas também, o que nao e menos importante, a atitude de abertura que permite nunca tornar a que se descobre ou obtem num dogma.
Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Creative Sources 2007-2010: Improvisação em torrente contínua



Fundada em 2001, a label lusa Creative Sources já editou até ao momento quase duzentos discos. Movimentando-se no panorama pouco mediático das músicas improvisadas, a editora liderada por Ernesto Rodrigues tem realizado um notável trabalho que, apesar de escondido do mainstream, se revela importantíssimo. Se poderemos dizer que a Clean Feed é uma das melhores editoras de jazz do mundo, neste momento a Creative Sources será sem sombra de dúvida um dos epicentros globais da música improvisada. Especialmente associada à estética reducionista, também conhecida por “near silence” ou “lowercase”, a editora afirmou-se líder nessa corrente, mas não se limita a uma estética única, explorando outros universos sonoros, sempre privilegiando o detalhe e o pormenor sonoro. O patrão da editora, Ernesto, continua a alimentar na qualidade de violista uma intensa actividade musical, contribuindo para o crescimento do catálogo de forma permanente, participando em boa parte dos discos do catálogo. Funcionando como complemento actualizado a umprimeiro artigo-síntese, os discos agora analisados são apenas uma amostra do fervor criativo de uma editora que não pára de surpreender pela originalidade, qualidade e consistência. Nuno Catarino (Bodyspace)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ernesto Rodrigues with Heddy Boubaker in Abrantes

Photo: Ernesto Rodrigues with Heddy Boubaker


A fully improvised set with two clever explorers of their very own instruments, Portuguese violinist Ernesto Rodrigues and French sax player Heddy Boubaker were both very competent on their dialogue.
This could actually have been their major sin. Players got truly involved in the ‘conversation’ and there were no place for big risk. Music was there, with adventurous sonic explorations and innovative aural stimulus for curious ears. But in a duo context, free music gets in a upper level when players can ask hard questions or take action into provocative ideas.
At the end, we can say that last night was a good beginning for MUSICAM, an audacious new event in a beautiful city like Abrantes, not really used to free improvisation, jazz or new music.
We strongly believe that the first two cagean minutes of Ernesto and Heddy worked as an initiation ritual for many more great nights in Abrantes.
António Matos Silva (Fixwhatusee)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


[…] O permanente cruzamento, trânsito e diluição de fronteiras entre o jazz e outros domínios e estilos musicais foi ao longo da década particularmente evidente entre os domínios do jazz e da *música improvisada (MI). Neste período proliferaram inúmeras formações (de constituição variável e frequentemente de duração efémera) que juntavam músicos com formação musical diversificada, desde o percurso de aprendizagem em escolas de jazz ou de *música erudita, até à formação autodidacta. A Variable Geometry Orchestra (VGO, fundada em 2000 pelo violinista e violetista Ernesto Rodrigues) constitui provavelmente o melhor paradigma desta tendência […]
De facto, uma parte substancial das actividades em torno da MI centrou-se precisamente em torno das actividades das editoras, com especial destaque para a CS, cujo catálogo de fonogramas de músicos portugueses, estrangeiros, e de colaborações entre músicos de várias nacionalidades atingia quase as duas centenas em 2010, o que proporcionou alguma visibilidade internacional. Revelando uma tendência do mercado comum ao sector do jazz, o sucesso e a longevidade desta editora deveu-se não apenas a uma estratégia editorial claramente definida por parte do seu fundador, como também à contribuição monetária dos músicos para a edição dos seus próprios fonogramas. Também no domínio da MI o crescimento exponencial de músicos e da oferta musical não foi necessariamente acompanhado pelo crescimento de consumidores e de editores dispostos a investirem, fazendo com que o mercado se reorientasse grosso modo para o fenómeno daquilo que na prática funciona como autoedição, apesar de mediada pelo editor. Além da publicação de fonogramas, a CS e Ernesto Rodrigues dinamizaram o circuito da música improvisada através da criação de inúmeras formações musicais com constituições bastante diversificadas, organização de concertos avulsos, e a criação de um festival anual (Creative Sources Fest, desde 2007). […] Pedro Roxo (Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX)

sábado, 28 de agosto de 2010

Creative Sources


Leading-edge musicians have been releasing recordings of their own work for decades to overcome commercial labels’ resistance. Some have documented an individual artist’s work, while others, like Evan Parker’s psi and Gino Robair’s Rastascan, expanded to take in other artists. Few have grown at the rate of Creative Sources, the Lisbon label launched in 2001 by violinist/violist Ernesto Rodrigues, a producer as intrepid as Portuguese seafarers in the age of exploration. The label that began modestly enough documenting Rodrigues’ own work now includes artists from around the world and has just released the 178th title in its catalogue.

Rodrigues’ story of his musical coming of age is not an unusual one. First influenced by his father’s taste in music, Rodrigues had his first music lessons with the composer Wenceslau Pinto, godfather of his father. By his teens, in the ‘70s, he was playing with singers - José Afonso, Fausto and Jorge Palma - leading figures in Portugal’s increasingly political music.

Drawn to experimental forms, he moved rapidly through groups and styles with a small but devoted coterie of Lisbon musicians: “My first improvisation group was an acoustic trio with Carlos Bechegas on reeds and Jorge Valente on piano. It was close to AACM aesthetics and I was very influenced by Leroy Jenkins; then came a trio with Bechegas and the singer Ines Martins and later a trio called Fromage Digital with José Oliveira on percussion and Valente on synth.” The fourth formation, a trio with Bechegas and Oliveira called IK*Zs, was the first to record, in 1995, appearing on Bechegas’ Projects (LeoLab). Rodrigues’ next appearance on CD was a duo with Valente released in 1999 as Self Eater and Drinker. Like many before him, Rodrigues bridled at the few opportunities to record. 2000 was the turning point, “Before 2000, there were a few people working but production costs were too high for CD release.”

It was then that Creative Sources began to take shape. In 1999 he recorded a series of improvisations called Multiples with his 11-year old son Guilherme playing cello and Oliveira playing percussion and acoustic guitar. Dedicated to the late John Stevens, Multiples documents Rodrigues’ interest in English- style free improvisation just before a significant shift in his work. When he couldn’t find a label to release it, it became the motivating factor in the birth of Creative Sources and its first CD.

A glance at the early releases suggests a modest intent: the first three discs all feature Rodrigues and Oliveira with a third player. While the CDs trace a sharp creative arc, it’s a modest effort to document closely the work of Rodrigues and his immediate associates: “I was concerned with documentation and possible self-promotion, but it was an ancient and powerful dream of mine to have a music label...”

From the start, the label had a distinctive visual identity, with the electronic musician Carlos Santos providing striking covers that often transform quotidian reality, words and shapes bending as if plastic. According to Rodrigues, “My relationship with Carlos has been going on for a long time and he works as a graphic designer. There’s a close proximity in aesthetics whether it’s label imagery or as a musical partner. I think he’s the perfect partner.”

The label soon expanded, welcoming musicians from around Europe, before moving on to Asia, America and the Middle East (there’s a special Lebanon connection). The first steps were small ones. The sixth release, Ura, recorded Alfredo Costa Monteiro, a Portuguese accordionist living in Barcelona, “but it really took off on the ninth production [No Furniture] with the Berlin trio with Axel Dörner and from there...it’s a small world. Musicians start to identify themselves with the label and then somehow it exploded. People from everywhere shared the same aesthetics.”

The aesthetic is clearly free improvisation, but it ranges from free jazz to the micro-explorations of English free improvisation, minimalism and EAI (electro-acoustic improvisation) that consistently blurs the identity of its sound sources. As the label rapidly expanded, its catalogue became a travelogue of international improvisation as well as an intimate family history of a small group of improvisers. It’s those two facets that give Creative Sources its special identity.

Rodrigues and Guilherme have traveled both literally and figuratively encountering different styles of improvisers at home and abroad. Among the highlights of their own recordings are Poetics, where they join the 18 members of the Glasgow Improvisers Orchestra; On Twrf Neus Ciglau, they’re at home in Lisbon to play with Carlos Santos and two very special guests, Welsh harpist Rhodri Davies and French soprano saxophonist Stéphane Rives. Another Lisbon recording, The Construction of Fear, has Rodrigues and Guilherme in free jazz terrain with the Brazilian tenor saxophonist Alipio C. Neto, Texas trumpeter Dennis Gonzalez and London drummer Mark Sanders. Perhaps Rodrigues’ greatest achievement is Stills, an ambitious recording that marked the label’s 100th release. It’s a three-CD set by the Variable Geometry Orchestra, a large ensemble of Lisbon improvisers: “It all started in 2000, bit by bit. I had a dream from my youth of having something similar to JCOA and Globe Unity Orchestra. It’s the first and only orchestra of this kind in Portugal and the triple CD is the necessary document.”

Trumpeter Nate Wooley is one of the American musicians who has appeared in the Creative Sources fold, releasing his first solo CD, Wrong Shape To Be a Story Teller in 2005 and a duo with guitarist Chris Forsyth, The Duchess of Oysterville, in 2007. For Wooley the label has been both an outlet and a source for otherwise unavailable music: Wooley is quick to point out Creative Sources’ track record with trumpeters, citing figures from the veteran Portuguese Sei Miguel to Argentinian Leonel Kaplan and the young Chicagoan Jacob Wick: “These are three players that are finally starting to get some recognition, but I still think some of their most interesting works were these early experiments that Ernesto took a chance on.” You can add Peter Evans and three intrepid Europeans: Axel Dörner, Franz Hautzinger and Birgit Ulher.

Gino Robair remarks, “I like the fact that Creative Sources lets the artist have total say over the details of a release, which isn’t always the case.” That’s likely why the Creative Sources catalogue includes some of the world’s most accomplished improvisers, like Backchats by Speakeasy, a group that pairs the singers Phil Minton and Ute Wasserman. There’s also the first session by Tom Djll’s Oakland project Grosse Abfahrt, called Erstes Luftschiff Zu Kalifornien. The catalogue includes other first-rank improvisers like reed players Xavier Charles, Bertrand Denzler, Jean-Luc Guionnet, Stefan Keune and Martin Kuchen and the guitarists David Stackenäs and Hans Tammen.

Rodrigues shows no signs of letting up. In the works are a recording by Swiss saxophonist Urs Leimgruber’s trio and Rodrigues’ own Suspensão, “an EAI octet dealing with silence, space and textures.” As with previous Creative Sources projects, they promise to be deeply personal adventures in fresh terrain. Stuart Broomer (AllAboutJazz-NewYork)